domingo, 22 de junho de 2014

“Uma Receita para o Discernimento” por John MacArthur

Nós não podemos simplesmente seguir a corrente da nossa era. Não podemos
elevar o amor enquanto minimizamos a verdade. Não podemos promover a unidade reprimindo a sã doutrina.  Nós não podemos aprender a sermos mais exigentes criando um ídolo que está além da tolerância. Ao adotar essas atitudes, a igreja tem aberto os portões para os cavalos de Tróia de Satanás.
Deus nos da a verdade de Sua Palavra, e ele nos ordena a guardá-la e passá-la para a próxima geração. Francamente, a geração atual está falhando miseravelmente nessa tarefa. Nossa falha com relação ao discernimento tem praticamente apagado a linha que existe entre Cristianismo bíblico e a fé imprudente. A igreja está repleta de um caos doutrinário, confusão, e anarquia espiritual. Poucos parecem perceber porque os cristãos foram condicionados por anos a serem ensinados de maneira superficial a terem uma mente ampla, superficial e não crítica. A menos que exista uma mudança radical na forma como vemos a verdade, a igreja vai continuar a declinar em poder de influencia, se tornará mais mundana e irá à direção de vários tipos de erros.
Como podemos cultivar o discernimento? O que precisa acontecer para uma igreja que quer reverter suas tendências e recuperar a perspectiva bíblica?

Deseje Sabedoria
O primeiro passo é desejar. Provérbios 2:3-6 diz, ”se clamares por discernimento, e por entendimento alçares a tua voz; se o buscares como a prata e o procurares como a tesouros escondidos;  então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento”
Se nós não temos nenhum desejo de termos discernimento, nós não o teremos. Se somos levados por um anseio de sermos felizes, bem sucedidos, abundantes, prósperos, confortáveis e autossatisfeitos , nós nunca seremos pessoas com discernimento. Se nossos sentimentos determinam o que nós cremos, nós não podemos ter discernimento. Se nós subjulgamos nossas mentes a algumas autoridades eclesiásticas terrenas e acreditamos cegamente no que ouvimos delas, nós minamos o discernimento. A menos que nós examinemos todas as coisas cuidadosamente, nós não podemos esperar ter alguma defesa contra uma fé imprudente.
O Desejo por discernimento é nascido da humildade. É a humildade que reconhece o nosso próprio potencial para o autoengano. (“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? ” Jeremias  17:10) É a humildade que desconfia de seus sentimentos pessoais e lança desprezo na autossuficiência ( “ mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas.” 2 Coríntios 12:5) É a humildade que se volta para a Palavra de Deus como árbitro final de todas as coisas (“ examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim” Atos 17:11).
Ninguém tem o monopólio da verdade. Eu certamente não tenho. Eu não tenho respostas confiáveis por mim mesmo. Meu coração é tão susceptível ao autoengano como o de qualquer um. Meus sentimentos são tão não confiáveis quanto os de qualquer um. Eu não estou imune ao engano de Satanás. Essa é uma verdade para todos nós. Nossa única defesa contra a falsa doutrina é o discernimento, a desconfiança de nossas próprias emoções, o considerar nosso próprio senso como suspeito, examinar todas as coisas, testar toda verdade proclamada com o critério da Escritura, e lidar com a Palavra de Deus com muito cuidado.
O desejo pelo discernimento portanto, implica uma visão elevada da Escritura conectada a um entusiasmo pelo entendimento dela corretamente. Deus requer essa atitude (2 Timóteo 2:15)  – e então o coração que O amar verdadeiramente será naturalmente incendiado por uma paixão pelo discernimento.

Ore por Discernimento
O passo dois é oração. A oração é claro, segue naturalmente o desejo; a oração é a expressão de um coração que deseja a Deus.
Quando Salomão se tornou rei, após a morte de Davi, o Senhor apareceu a ele em sonho e disse:  “Pede-me o que queres que eu te dê.” (I Reis 3:5). Salomão poderia ter pedido qualquer coisa. Ele poderia ter pedido riquezas materiais, poder, vitória sobre os inimigos, ou qualquer coisa que quisesse. Mas Salomão pediu por discernimento: “Da, pois ao teu servo coração compreensivo para julgar o teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1 Reis 3:9).  A Escritura diz, “Essas palavras agradaram ao Senhor, por haver Salomão pedido tal coisa” (1 Reis 3:10).
Além disso, disse o Senhor a Salomão:
Pelo que Deus lhe disse: Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem riquezas, nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento para discernires o que é justo, 12 eis que faço segundo as tuas palavras. Eis que te dou um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual não se levantará. 13 Também te dou o que não pediste, assim riquezas como glória; de modo que não haverá teu igual entre os reis, por todos os teus dias. 14 E ainda, se andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como andou Davi,
Perceba que Deus  elogiou a Salomão porque seu pedido foi completamente não-egoísta: “Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem riquezas, nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento para discernires o que é justo”  O egoísmo é incompatível com o discernimento. Pessoas que desejam o discernimento precisam estar dispostos a dar um passo para fora de si mesmo.
O evangelicalismo moderno, enamorado pela psicologia e autoestima, tem produzido uma geração de cristãos que estão tão absorvidos em si mesmos que não podem discernir. As pessoas nem estão interessadas em discernimento. Todo o interesse deles em coisas espirituais estão focadas em si mesmo.  Eles estão interessados somente em obter suas próprias necessidades atendidas.
Salomão não fez isso. Apesar de ele ter tido uma oportunidade para pedir por uma vida longa, prosperidade, e saúde e riquezas, ele abriu mão de todas essas coisas pediu ao invés disso por discernimento.  Por esse motivo Deus deu a ele também riquezas, honra, e vida longa enquanto ele andasse nos caminhos do Senhor.
Tiago 1:5 promete que Deus irá conceder a oração por discernimento de maneira generosa: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos da liberadamente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida”
Desejo e oração são os dois primeiros ingredientes chave na receita para um discernimento bíblico. No próximo texto veremos mais dois.
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 *Esse artigo faz parte de uma série publicada no site da Grace to You, traduzido e postado mediante expressa autorização. Leia o artigo original aqui.
**John MacArthur, Jr. é pastor da Grace Community Church em Sun Valley, na Califórnia, e autor de diversos livros, entre eles Abaixo a Ansiedade, A Morte de Jesus, Crer É Difícil, Criação ou Evolução, Doze Mulheres Notáveis, Como Educar seus Filhos segundo a Bíblia, Como Obter o Máximo da Palavra de Deus, Como ser Crente em um Mundo de Descrentes, O Caminho da Felicidade, O Livro sobre Liderança, O Poder da Integridade, todos da Editora Cultura Cristã.
*** Tradução: Rebecca Figueiredo

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